
Toyota, Honda e agora Volkswagen. Três marcas que têm a resistência de seus carros entre as principais qualidades foram atingidas por enormes recalls. Cabeças devem estar rolando por lá.
Mas, afinal, por que os recalls acontecem? Economia de custos? Falta de qualidade do material? Engenheiros meia boca? Para falar a verdade, não tenho nenhuma tese embasada, mas tenho palpites, muito palpites.
O principal deles aponta na direção daquela praga que assola dez entre dez empresas: o infeliz do corte de custos, que faz você ter de explicar ao cara do financeiro como, quando, onde e por que quer trocar o grampeador que está na sua mesa há 20 anos e não funciona mais.
E digo por que acho isso. Dia desses fui ao lançamento de um carro de uma marca norte-americana. Carro bom, aliás. Conversando com um engenheiro responsável pela parte de eletricidade, ele me falou algumas coisas interessantes: “A gente desmonta os carros da concorrência aqui. O nosso, por exemplo, tem 47 fusíveis. O carro X [ele me falou o nome, é de uma marca japonesa, mas não vou dizer aqui) tem 26 para fazer as mesmas funções. É um projeto muito mais simples, mas que eles vendem pelo mesmo preço. E vendem bem. Só que não estão vendendo qualidade. Hoje eles vivem vendendo a imagem”, me falou o engenheiro X.
É bem verdade que ele queria enaltecer o carro dele, disso não tenho dúvidas, mas eu também não sou (tão) bobo. Depois de trocentos lançamentos, dá para perceber quando o cara fala em um linguajar marqueteiro e quando ele está só batendo um papo com você. Era o caso.
O fato é que o problema é grande principalmente para os lados da Toyota e da Volkswagen. O Gol, por exemplo, é um ótimo carro. Bom de dirigir, com um belo design, vencedor de comparativos etc., mas já está no segundo* recall. E foram dois problemas graves: motores sendo trocados e risco de ver uma das rodas sair voando! Fica complicado recomendar a um amigo um bom projeto, mas que parece ter sido lançado às pressas e não validado com o rigor que se deve. Isso sem falar no acelerador dos Corolla, que andou travando.
É claro que uma quantidade menor de fusíveis ou um projeto mais simples não está necessariamente em um carro mal feito, mas é preciso ter muita cautela ao cortar custos em projetos tão complexos.
Se o grampeador quebrar, azar da folha. Se o acelerador travar, é outra história.
*Como bem lembrou o leitor Cristiano, este não é o segundo, mas o quarto recall do novo Gol. Isso para os clientes, já que as marcas não consideram recall o que não coloca em risco a segurança durante a condução, caso do problema nos motores e na partida a frio.
De qualquer forma, certamente o consumidor não está muito interessado nessa classificação e considera recall qualquer convocação da fábrica que o obrigue a voltar à concessionária, certo?
Por último, o Alexandre Augusto ainda lembra de um chamado para troca/verificação da luz de neblina. Agora eu perdi a conta de vez! Ai, ai, ai.
Cristiano, Alexandre, obrigado.