
Bob Lutz, 77 anos, é um sujeito que não se preocupa muito em ter um discurso politicamente correto. Depois de 47 anos de indústria automotiva, Lutz, que já passou por Ford, Chrysler e BMW, se aposentou pela GM, mas decidiu voltar atrás para exercer o cargo de vice-chairman da companhia e ajudar o grupo norte-americano em seu processo de recuperação.
Em uma entrevista coletiva concedida aos jornalistas brasileiros no Salão de Detroit (o Carro Online e a CARRO estavam presentes por meio deste que vos bloga, até por isso a falta de posts nesta semana), Lutz foi claro em relação aos motivos que o levaram a voltar em meio à crise financeira: “Só se falava em carros verdes, verdes, verdes. Pensei: não é bem assim. Aquela não seria minha companhia de automóveis. Os carros verdes equivalem apenas a 5% do desejo dos consumidores”, disparou o executivo.
E as polêmicas não pararam por aí. Bob Lutz, que, acredite, é suíço nascido em Zurique (veio para os Estados Unidos com sete anos), disparou mais balas. “Em Washington, todos estão dirigindo BMW, Lexus e Audi. Eles não estão preocupados em ajudar a indústria automotiva”, alfinetou o “velho Bob”.
A diminuição do tamanho dos motores nos Estados Unidos também foi um dos temas da coletiva: “Os segmentos grandes estão diminuindo. O número de cilindros está diminuindo drasticamente”, disse Lutz. “Diziam que a gente não podia colocar um motor de 4 cilindros no Buick. Hoje temos o 2.4 com injeção direta de combustível no Lacrosse e ele está vendendo muito bem.”
Fã de muscle cars, Lutz desembestou a falar sobre carros quando lhe perguntei se ele achava que os modelos superpotentes e, consequentemente, mais poluentes e gastões, morreriam no futuro. “Não é preciso uma potência absurda para se divertir. Um dos carros que mais me divertiu nos últimos tempos foi o Insignia, que aqui será vendido como Buick, com motor 2.0 turbo. Em uma estrada sinuosa, é muito mais interessante ter um carro como este, com um chassi eficiente e potência controlável, que um superpotente”, opinou o antigo piloto de caças e colecionador de aviões.
Em resposta a outra pergunta, Lutz atacou os carros japoneses. “Por que os carros japoneses tem essa reputação de confiabilidade? Os americanos agora estão vendo que os carros americanos são mais confiáveis, já que os japoneses estão tendo problemas de recall. Os japoneses estão caindo enquanto os americanos estão subindo.”
Lutz continua afiado. Ótimo em uma indústria com discursos cada vez mais burocráticos e previsíveis.